~ Sexta-feira, Junho 19

A Moça

Eu tenho quase certeza de que ela estava rabiscando. Sentada alí, na área comum do prédio de escritórios, ela passava os dias na singela pretensão de preencher um potinho que ficava no balcão, onde lia-se "pegue aqui a sua mensagem do dia". Sinceramente, se três pessoas pegavam um rolinho recheado de alguma citação clichê durante a semana inteira, era muito. Mas ela usava avental branco, todos os dias, e ficava alí, sentada em um banco próximo ao balcão, ora enrolando os papéizinhos com cuidado, ora conferindo o estado do pote, ora apenas observando as pessoas que passavam. Aquele dia, eu tenho certeza de que ela estava rabiscando sua agenda. Sabe? Pintando por dentro dos números e das letras vazadas.
Ela daria uma ótima personagem, eu pensei, alguém poderia escrever um livro ou um roteiro de filme só sobre ela, e a minuciosidade com que ela passava minutos rabiscando a agenda. Logicamente, ela estava tentando parecer fazer qualquer outra coisa. Tomava o cuidado de não apenas rabiscar, freneticamente; fazia pausas, observava, às vezes até ia conferir uma outra página. Acho que ela queria dizer ao mundo, ou só a si mesma, que estava organizando sua vida em meio a muitos compromissos, horários e citações (não tenho dúvidas de que haviam citações) alí naquelas páginas. Eu a vejo rabiscando, colorindo os números e o fundo oco das letras O, e ainda assim entendo como uma organização. Ela estava, de fato, organizando sua vida, ao completar as partes sem pintura que estavam fazendo falta.
Eu parei um pouco para observá-la. Eu a chamo de moça, mas ela já tem sua idade... talvez esteja na casa dos quarenta anos, embora os cabelos ainda sejam bem coloridos. Pra falar a verdade, eu não sei muito bem a partir de que idade os cabelos de uma mulher começam a embranquecer e também duvido que a vaidade feminina (mesmo em se tratando da moça das mensagens do dia) permita que o tempo simplesmente corra assim, pelos fios; não hoje em dia, com as tinturas baratas e diversas. De qualquer forma, acho que a moça das mensagens era calma, isso deve ter ajudado nos cabelos; e na pele também. Só não conseguia ter certeza, assim, observando-a, se era infeliz. Não a via feliz tampouco, mas entre a felicidade e a infelicidade há muitos outros estados de espírito que não se pode rotular. Ela estava aí no meio, eu acho.
Adivinhei que ela devia descontar sua periódica ansiedade em comida; muita gente faz isso, e ela realmente estava um pouco acima do peso (fato que o avental branco, várias vezes usado com uma blusa comprida de listras horizontais por baixo, evidenciava). Não me pergunte por que afirmo isso com tanta convicção, excluindo muitas outras possibilidades fisiológicas ou mesmo genéticas que podem levar ao excesso de peso: eu apenas a estava observando. Percebi também, embora isso possa parecer indelicado, que ela não usava aliança; e eu tenho certeza de que a moça das mensagens, se fosse casada, ou simplesmente "compromissada"... ah, ela usaria a aliança.
Ela continuava rabiscando. Ela rabiscava com delicadeza, vale citar. A palavra rabiscando comumente remete a um comportamento levemente violento. Não, a moça do pote de mensagens era calma.
Na verdade, eu acho que a moça do pote era sonhadora. Você sabe o tipo de pessoa sonhadora a que me refiro? Um sonho tão grande, um sonho além, um sonho que abrange os sonhos dos outros, a vida dos outros; que vai muito além dela, do seu avental, de sua agenda. Ela sonha tanto que, ninguém está percebendo, mas ela não está vendo a agenda e nem o pote de mensagens, em si. Eu acho que a moça das mensagens tem uma imensa esperança, para não dizer uma enorme necessidade, de que as citações de Ghandi e Freud e os provérbios chineses que ela passa tardes a enrolar perfeitamente e jogar no potinho para os outros, mudem a vida das pessoas que os lerem, como ela queria acreditar que tudo isso mudasse a própria vida dela.
Eu me dirigi ao pote essa semana e a senti me observar, cautelosamente, por trás dos óculos que refletiam as luzes do prédio e muitas vezes camuflavam seus olhos. Ela apreciava esse momento a ponto de seu coração acelerar, mas era bastante sutil ao olhar pois tinha medo de intimidar alguém; intimidar as raras pessoas que não passavam às pressas e podiam desistir de pegar um pedacinho dela, alí naquele pote, caso percebessem que ela as estava observando.

"A Felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do meio em que ele se acha"

Eu coloquei o papelzinho no bolso e sorri, olhando para ela. Na verdade, estava olhando para ela com o coração e não com os olhos de fato, pois acho que ela não queria ser flagrada naquele momento, assim, encontrando os olhares. A mensagem que li, em si, não foi motivo de mudar uma vida; mas acho que tanto eu quanto ela sabíamos, naquele momento, que a lição do pote foi a própria moça das mensagens, fui eu mesma, foi o prédio de escritórios... foi bem mais que um pedaço de papel enrolado.
(ddbg, 18/06/2009)

- Daniela | às 8:28 PM



~ Segunda-feira, Junho 1

A internet tem esse negócio de permitir quase tudo. Você tem uma idéia absurda, cria alguma coisa na rede e de repente o mundo inteiro está comentando sobre aquilo que, a princípio, foi apenas um devaneio na madrugada, e por fim virou um super portal ou um influente blog ou uma animação-lixo que ficou engraçada. Não importa, já foi dito no começo: a internet permite e dá iguais chances a todo tipo de conteúdo, até o que aparentemente não tem conteúdo ou não faz sentido nenhum.
Chegamos ao ponto. O último grande devaneio que aparentemente não faz sentido nenhum e está em ascenção é o portal chamado Twitter. "O QUÊ?" - você me pergunta, em tom de exclamação; e eu tento responder, na medida do possível, já que o devaneio foi longe: a palavra "twitter", seria uma derivação da palavra "tweet" que, em inglês, remete ao pio dos passarinhos. Sua próxima reação muito provavelmente é perguntar "Tá, e daí?", já em um tom menos surpreso, sabendo que depois dessa, não se pode esperar muita lógica na tal ferramenta virtual mesmo...
Eu continuo: se você experimentar acessar o portal através do endereço twitter.com, vai encontrar lá a pseudo-explicação de tudo, simples e direta, dizendo: "Twitter é um serviço para amigos, família, e colegas de trabalho se comunicarem e permanecerem conectados uns aos outros através de respostas rápidas e frequentes à simples questão: O que você está fazendo?". Tudo bem, agora você entendeu e não sabe se era pior não ter entendido nada e tudo parecer um mundo mágico a ser descoberto ou cair na realidade de que há tanta repercussão em torno de um portal que, sim, não tem quase nenhuma utilidade.
Os usuários dessa incrível ferramenta têm então, ao seu dispor, 140 caracteres por vez, para contar ao mundo "o que estão fazendo". É óbvio que ninguém quer saber o que as outras pessoas estão fazendo, pelo menos não o que pessoas "comuns" estão fazendo. Qual a graça de saber que a Chica acabou de comer um rocambole? Nenhuma. Eis que aí surgem twitters de celebridades, alguns autênticos, e muitos outros conhecidos como "fakes" (falsos). Ambos fazem bastante sucesso; isso quando o fake não faz mais sucesso que o autêntico por ser geralmente carregado de ironia e comentários cômicos.
A verdade é que, como quase tudo na internet, o twitter vira ferramenta de auto-afirmação e cresce por conta disso. Atrai inúmeros ansiosos por responder a simples questão "o que você está fazendo?" da forma mais criativa e espetacular possível, como se a vida fosse tudo que se sonha; além dos muitos sagazes por mostrar conhecimento sobre quase todos os assuntos, sempre seguidos de links interessantes para outros sites.
No fim de tudo, a grande verdade é que cada usuário é praticamente um solitário, já que ninguém quer ler o que os outros fazem, só querem mostrar o que estão fazendo. Mas deixa... é uma ilusão consciente. Como se ninguém tivesse percebido que responder, na rede, rápida e frequentemente à questão "o que você está fazendo?" não fosse uma das coisas mais sem utilidade que já existiu entre os grandes devaneios da internet.

- Daniela | às 12:59 PM



~ Domingo, Maio 31

O grande fenômeno, ou talvez seja melhor usar outra palavra nesses dias em que a denominação "fenômeno" é quase patenteada por um grande jogador (dando à palavra "grande" o sentido que preferir). Vamos começar denovo: a grande mania virtual do momento entre cibernéticos de todas as idades no Brasil é o Twitter. Tudo bem, talvez você ainda não tenha ouvido falar tanto sobre ele quanto se fala sobre o "famoso site de relacionamentos" que, vira e mexe, é mostrado em reportagens de televisão e as emissoras não podem usar o termo "Orkut", como se não fosse inconfundível aquele fundinho azul-bebê do portal. A questão é que o twitter está crescendo, e não há como ignorá-lo.
Eu acredito que o que mais atrai a atenção das pessoas para o twitter é o eterno dilema: "para quê serve esse negócio, afinal?". Experimente você também, acesse twitter.com/qualquercoisa e tente entender. Sim, você pode substituir as palavras "qualquer coisa" por praticamente qualquer coisa que vier à sua cabeça, que muito provavalmente haverá um usuário de twitter sob esse nome. E aí, o que você encontra? Uma página, cheia de publicações curtas, apenas uma frase, quando não só uma palavra, citando e discorrendo (se é que é possível discorrer em tão pouco espaço) sobre qualquer assunto. E aí, "qual a utilidade disso?"
Tente outra situação. Acesse twitter.com e faça seu próprio cadastro. É simples e rápido e, parabéns! Agora você também está nessa rede! Toda a intenção do site parte de uma pergunta a ser respondida em no máximo 140 caracteres; ela diz: "O que você está fazendo?".
Cuidado, novato; perceba que, obviamente, se você apenas responder à pergunta, assim, de forma ingênua, como por exemplo "eu estou comendo uma pêra", sua página ficará extremamente sem graça e... sem sentido. Você deve fantasiar, criar a ilusão de que sua vida é espetacular e mostrar que você tem um senso de humor único ou um conhecimento muito vasto sobre todas as coisas do mundo. Tem de ser bastante inusitado para deixar ligeiramente divertido um portal que, sim, na verdade é essencialmente sem sentido.
Experimente dizer "Estou deliciando uma pêra, e aliás, vocês já viram esse comercial que usa pêras? (insira aqui o link de um comercial raro, improvável e super criativo que usa pêras)". Crie mais algumas linhas nesse gênero e em seguida comece sua saga em busca de seguidores. Como? Siga todas as pessoas possíveis. Simplesmente vá seguindo, é só um botão a ser clicado mesmo.
Grande parte das pessoas no twitter só querem ser seguidas, e vão ficar lisonjeadas quando forem avisadas via email que você as está seguindo. Elas realmente vão acreditar que você está interessado no conteúdo de suas respectivas páginas e, como gesto de gratidão, vão te seguir também. Você, igualmente ingênuo e egocêntrico, também vai apostar que esses novos seguidores querem muito saber o que você tem a dizer de interessante e a rede engorda assim: todo mundo falando sozinho, só querendo ser ouvido (lido), e ninguém ouve (lê) o conteúdo dos outros.
Salvo algumas pouquíssimas excessões, é lógico. Mas, no geral, a internet costuma funcionar assim mesmo: fornece inúmeras ferramentas de auto-afirmação e fazem muitos jovens ilusoriamente mais felizes. E a vida fica melhor, assim.
Agora eu vou fragmentar isso tudo em blocos de 140 caracteres e atualizar meu twitter.

- Daniela | às 11:39 PM




Todo mundo ficou sabendo... Aliás, estou sendo supérflua ao citar que "todo mundo ficou sabendo" já que, hoje em dia, são raros os acontecimentos que o "todo mundo" não fica sabendo. O "todo mundo" que assiste à televisão, acessa a internet ou simplesmente sai de casa e conversa com outras pessoas. "Ele" fica sabendo até a cor da roupa que o mais novo dos Jonas Brothers usou no show; não, não nesse show que aconteceu no Brasil, poucos dias atrás. Saber desse é muito fácil. "Ele" sabe daquele show raro, para um grupo selecionado de pessoas, que aconteceu em Xangai no ano de 2007, e o pequeno Jonas usava azul, "todo mundo" sabe.
Peço perdão, enfim, e retomo: é óbvio que todo mundo ficou sabendo da ligeira queda que sofreu o nosso querido Caetano Veloso durante sua apresentação em Brasília, no dia 16. Muito provavalmente, todo mundo também ligeiramente riu ao assistir aos vídeos do acontecimento, como não poderia deixar de ser. O tropicalista ia alegre, caminhando contra o vento, inspirado por aquela força que o leva a cantar, quando a Força Maior agiu sobre ele. Não estou falando de Deus ou Jorge da Capadócia, estou falando de um degrau, Isaac Newton e a Gravidade. Alguém na platéia expressa toda sua preocupação com um "meu Deus..." bastante sentido, e após 2 segundos Caetano se levanta para alívio de todo mundo: "ele está bem".
Tudo bem, nada demais, eu não me preocuparia. Caetano já teve de ser bem mais cauteloso décadas atrás para não cair nas mãos da ditadura; cair nas mãos e nos artíficios de tortura da ditadura, literalmente. O que é um degrau, gente? A queda é natural, ela acontece todos os dias na bolsa de valores e estamos todos acostumados. Cai também muita chuva no nordeste, cai para alagar tudo e desabrigar muita gente. Caem os cabelos dos senadores e deputados, mas só quando um deles é sorteado para ser cassado porque, até lá, eles investem bastante nos implantes capilares e vocês sabem com que dinheiro isso é feito.
Nós estamos, na verdade, bastante habituados às quedas já. A de Caetano só teve tanta repercussão por ser, ao contrário das outras aqui citadas, hilária. E todo mundo gosta de cair na gargalhada. Aliás, Caetano não é qualquer um. Caetano e sua juba, quando caem, são aplaudidos. Isso sim é que é queda!





- Daniela | às 8:56 PM



~ Domingo, Maio 24

Você NÃO sabe do que estou falando

- Daniela | às 1:18 PM



~ Terça-feira, Maio 5

Tenho saudade e é hipocrisia afirmar que não havia medo, ansiedade; tenho saudade, nem sei se é mesmo saudade, nostalgia, ou fuga, é medo. Não é saudade, é falta de colo. Não é nada disso.
Nada disso; nem eram só as provas do colégio que me deixavam preocupada na terceira série. Nem era assim como hoje, quando acordo a cada dia sabendo menos dos meus dias, sabendo nada além do fim que chega quando é fim, nem como, nem porque; quero saber do fim logo no começo do dia. E não sei.
Antes era mais certo: o fim era um copo de leite.
Nos últimos dezenove anos o fim era um copo de leite, e de repente deixou de ser. Ficou intangível; o fim, eu digo. O copo de leite por si só, um copo desses de requeijão com leite, um Toddynho que seja, pra isso o supermercado tá aí. É a minha vida que não está mais pro copo de leite. O copo de leite no fim, antes de dormir, depois de acordar, nos limites da segurança.
Não há nada de seguro agora, além de você.
Você é a única coisa que me restou de seguro. Nesses dias que começam no fim.

E isso é só o começo, eu sei.

- Daniela | às 11:37 AM



~ Quinta-feira, Abril 2

saí xau'

- Daniela | às 1:25 AM




Sai dessa vida!

Discorrendo sobre assuntos variados e de pertinência duvidosa diariamente em um blog.
Tweetando freneticamente até às 3 da manhã & justificando ausência de meia hora.
Surtando diariamente atrás da avalanche de informações sobre todas as áreas de criação possíveis [até da BÍBLIA, se pá].
Vomitando diariamente comentários intelectuais sobre qualquer grande bosta.
Se vestindo à rigor no estilo "COOL" de viver.
Vendendo a mãe para emplacar sua banda.
Querendo ser DESCOLADO em SOROCABA. OI?
Fazendo um fake do BONGÔ no twitter.
Acampando 3 meses no meio do mato para saber o que é passar necessidade.
Tomando Daime no fim de semana para dar aquela relaxada.
Fazendo moda na FAAP. (Não só o curso)
Pagando BOOK para ser modelo de platéia no programa "MELHOR DO BRASIL"
Voltando ao torpor do tratamento médico, incentivando o cinismo.
FRITANDO nos finais de semana.
DORMINDO nos finais de semana.
Curtindo em São Paulo.
Passeando no shopping.
Conversando com sua operadora.
Largando a faculdade.
Dormindo 5h por dia.
Feliz nesse Brasil de Deus.

SAI DESSA VIDA.

- Daniela | às 1:24 AM



~ Domingo, Março 29

Eu acho que todas as pessoas têm uma certa tendência a sentirem pena de si mesmas. Tô falando daquela pena saudável, normalzinha, do tipo "charminho" ok; não queremos entrar aqui no âmbito dos dilemas psiquiátricos que, ok, todos também devem ter e achar, se procurarem fundo (e acreditem, os psiquiatras sempre acharão! Até meu gato poderia tomar Rivotril, se ELES quiserem achar isso.)
Mas o clima aqui é mais descontraído: a básica pena "olha eu, mãe, mimimi".

Citemos, como exemplo, a GRIPE AUMENTADA.
Gente, tudo bem, gripe é horrível mesmo. Cê tá lá, vivendo sua rotina normalmente e de repente aquele mal estar, indisposição, às vezes diarréia; amigos, diarréia não é legal! Todo mundo tem direito de reclamar da diarréia. Reclama pra mãe e ela vai falar "Ah, são essas viroses...". OK.
A questão da GRIPE AUMENTADA é que ela não é ESSA gripe, de fato. A gripe aumentada é um transtorno mais psicológico mesmo, que procede a "gripe-de-fato". Ela existe nos resquícios da "gripe-de-fato". É quando o mal estar passou, graças a Deus, e a diarréia também, graças à rezinha da sua vó, e só ficou o famoso RANHO NO NARIZ & o gostinho de QUERO MAIS ATENÇÃOZINHA.
Pronto! O paciente sofre de espirros e depois de INSPIRADAS de ar, daquelas de limpar o nariz, muito mais intensas do que o necessário, só pra fazer barulho; sem contar a expirada pela boca depois, acompanhada de um leve "ah!", expressando tanto sofrimento! Falando "GENTE, TO SOFRENO, TO COM RANHO". O caso é grave quando o procedimento se repete insistentemente, tratando-se de um diagnóstico bem mais crônico quando se percebe que o então tormento da "pena de si" é muito mais relacionado com a satisfação de convencer A SI mesmo que está sofrendo, do que convencer a sua mãe, ou a sua vó, que tá lá rezando ainda.
Tudo bem gente, dura algumas semanas mais só. Toma cuidado pra não viciar no Arturgyl que daí o processo de cura é mais lento, vocês sabem. Já fui viciada em Arturgyl e não é legal. Fica a dica ok.

Por hoje é isso.
E para aqueles que estão lidando com um caso desses na família: seja paciente, não se irrite; porém também se atente em não demonstrar muito interesse no caso: ignore. Pede pra sua vó mudar a reza, fazer uma agora pro menino levantar a bunda do sofá e arranjar um emprego.

- Daniela | às 8:00 PM



~ Quarta-feira, Março 11

Calmæ que eu tô fudendo com tudo. haha Em breve ajeito.

- Daniela | às 5:37 PM



~ Sábado, Fevereiro 28

Você sabe todos os pontos: você sabe e não quer saber. Ignora todos os pontos, os de índice e os de cicatriz. Você sabe que não são apenas pontos; que nada é apenas ponto; que nada é "apenas", penas por assim ser, apenas. Em mim, não há nada de definitivo, normático, didático. Em mim, jamais houve certezas, à não ser aquela do instante, do milésimo, do sorriso; que você devia valorizar, mesmo que ele tenha saído de soslaio hoje. Devia valorizar meus pontos incertos, hesitantes, fora de foco, por saber que é cada um deles que fazem quem eu sou; quem você ama, ou amou.
Explicações funcionam muito mal comigo, eu nunca soube explicar sinceramente (veja que aqui não há vírgula: entre o explicar e o sinceramente. Viu?)
Meu vocabulário até permite belas explicações; sem deixar margens subjetivas, se não estou disposta a isso; sem que ninguém desconfie. Mas a você confesso, se você ainda não percebeu, que sou muito manipuladora mesmo. Às vezes sinto em mim até cores escuras e fortes, típicas da vilã, da megera, da fria e calculista. Mas não é bem assim também; nada é bem assim também.
Então entenda, que eu já cansei de me consolar, explicando pra mim mesma. Entenda, que esse negócio de futuro, esse negócio de todo o resto da vida, não tem chão. E a proposta não é ter chão. A proposta é surpresa. A proposta é feliz por ser que nem criança; criança inventando uma música de trinta minutos a partir da palavra "rosa".
E é mesmo muito difícil. Inventar a música, eu digo. Inventar a música nova, a música que em nada se suspeita, que em nada se intui, da qual não se sabe nada, à não ser os calafrios do desconhecido. O desconhecido total do próximo instante, comparado com o rotineiro conforto, e certo, de... quantos anos foram? três, quatro...? No alarms, and no surprises.
Então você sabe, como qualquer um exposto a esse quadro maior enxerga; você sabe e enxerga, e não quer ver. Você sente, e não quer viver. Você cobra, como que se não soubesse.
São difíceis esses pontos. Não são só pontos. Você sabe.
Talvez seja eu quem não saiba, ao certo. Quem é "você"?

- Daniela | às 2:06 PM



~ Terça-feira, Fevereiro 10

Um continho - De exercitar, e de um tempo atrás.

Já foram cinco folhas de papel almaço, direto pro lixo. Direto não, fazia uma pequena (às vezes, longa) pausa entre seu estômago e a compulsividade quando escrevia o nome dele algumas vezes, sem ritmo e sem seguir as linhas. Sem por quê. O que queria escrever, mesmo?
Melhor fazer os cálculos do mês, antes que já comece a pensar denovo... Pronto. Marieta torturava-se. Já se passavam dois anos! Dois anos de papéis almaço e corações ao lixo: torturava-se.
Ia atrás dele, daquelas mulheres. Reparava se ele estava usando alguma peça de roupa que ela havia lhe dado, naqueles seus tempos. Reparava no sorriso dele; nas conversas que ela o tinha ensinado; no caminho das mãos, que ela o havia mostrado pela primeira vez. "- Ingrato, me pegou o de melhor, pra usar agora com essas..." Não poderia deixar de reparar nas curvas de pouca idade; os cabelos, as unhas. Vai ver era isso que ele queria, afinal...
Mas já se passavam dois anos, Marieta! E a tortura.
É porque sabia que era forte. Ninguém faz a si mesmo tortura que não se aguente: era para render mais folhas, mesmo que ao lixo. Estava rendendo, não muito em sorrisos.
Mas Marieta era uma mulher forte e sabia muito bem de tudo; sabia tanto, que não poderia deixar de saber tudo aquilo que a psiquiatra lhe falava.
Não poderia deixar de saber, afinal, por onde andava seu pupilo, seu projeto de vida.
- Isso virou obsessão, Marieta.
- Deixe-me com minhas coisas.
- Ele não é seu.
- Deixe-me.
De ingênua e desapercebida, Marieta não tinha nada. Ela tinha um plano.
Esperou o momento exato de ligar e marcar o café. O jogo sempre fora em seu tabuleiro, e ela não deixou mágoas suficientes no coração que a amava quando explicou tão carinhosa e correta porque precisava ir, há dois anos atrás. "- Foi você quem quis assim!"; e ela só respondia "Sim".
Seria amanhã. E quando aqueles olhos se encontrassem de novo: os olhos dela, não carregados de maquiagem como os que ele passara a ver. Os olhos dela: apenas refletindo a espera. Tudo iria ficar em paz e tomar o rumo deles: o eterno; era hora do eterno.
Antes de dormir, ainda separou a roupa que usaria: o casual bem planejado, por ela, como sempre fora. Podia sentir que os corações batiam mais forte. "Nada como uma história pré-destinada!".
Adormeceu logo, sem nem perceber que lhe faltava a ansiedade, e talvez nem lembrasse do que sonhou. Talvez fora com sua infância; suas peças de teatro. Talvez fora com a chuva, numa viagem de carro. Talvez sonhara com ele.
Só acordou feliz, sem pensar em folhas almaço, corações ou curvas angulares. Lhe mandou apenas uma mensagem:
"Meu amor, nosso maior erro foi colocar responsabilidades de eterno naquilo que é de momento; todos os dias, quantos dias forem."

Anuladas as obsessões, pode até ser que Marieta e ele se encontrem de novo, para a qualquer momento viver eternamente; quem sabe. Nada há de pré-destinado, definido. E é isso que a deixou leve, essa manhã, finalmente.


- Daniela | às 3:08 AM



~ Sexta-feira, Fevereiro 6

Apresentando:



Alternativa para pipocas. & para retardadas

- Daniela | às 2:36 AM




Que não mandei, nem vou mandar.

Oi, essa noite sonhei com você e você era praticamente um EREMITA; me assustei e decidi mandar um alô pra te contar que aqui na terra ainda tão jogando futebol, com muito samba, choro e rock'n roll.
Sua amiga Yasmin Lucita passou na UFSCAR, e está super feliz [lógico]. Fiquei sabendo que a Anna passou na USP. E certamente eu sou a única sönga que está fazendo UNISO; mas ADIVINHA: eu tô curtindo ADOIDADO! E dessa vez não existe ironia no típico "ADOIDADO em caixa alta"! :)
Minha irmã está no terceiro colegial e pensando em prestar para ENGENHARIA NAVAL. Bota fé?
A Gabi está fazendo uniso também, só que de manhã, e se ela estivesse fazendo a noite estaria na mesma turma que eu. e SE FUDEU, porque a noite é bem mais legal!
Esses dias, eu me perdi em PIEDADE com a Nicole. E SIM, EU CONSEGUI me perder lá! ¬¬ A gente tava numa super festa na chácara da Gabi, só que o irmão dela bateu o carro quando foi comprar gelo aí na cidade da ADEGA (eu não sei qual é a "referência" de Piedade) e daí a Gabi foi com o vô e a tia dela pra lá pegar o irmão, mas as coisas na delegacia estavam demorando demais e me pediram pra sair de chácara e ir buscar a Gabi. Eu fui, me perdi nos mancos e barrancos dessa cidade e quando finalmente consegui achar o lugar, a Gabi já estava entrando no carro do vô dela, pra voltar: ou seja, não adiantou nada ¬¬
Meu gato nesse momento está batendo com força no saco de ração, porque a que havia no potinho dele já acabou faz tempo, e eu estou demorando pra colocar denovo porque ele está obeso demais.

Estou lendo Dostoiévski & já fiz um PROJETO em uma das aulas da faculdade que ficou legal; já se espera que eu seja NERD eternamente, né. Mas eu gosto da galera & já fiz amigos :D E esses não gostam só de sertanejo!!! \o/

Meu carro está fedendo mijo de gato há alguns dias...

Beijos!


- Daniela | às 2:11 AM



~ Quarta-feira, Fevereiro 4

Esse blog é mesmo tão inconstante e deveras remoto, que nem tenho pudores de manter uma linha de raciocínio aqui; então, hoje falarei sobre OVO COZIDO.

O ovo cozido é uma iguaria de extrema importância na minha vida, já que esse lugar de poucos metros quadrados a que chamo de "lar" provisóriamente, quase nunca me oferece alimentos variados e/ou de bom valor nutricional. Aí que entra meu amigo OVO.
Ele está sempre a sorrir pra gente, na porta da geladeira, oferecendo N possibilidades: ele diz:
"- oi, você pode me fritar e comer com catchup, NHAM!"

"- oi, você pode me misturar com presunto, queijo, tomate, ervilha, milho, alho poró, gengibre, pedaço de gato & fazer uma omelete HUMM!"

"- oi, você pode fazer um bolo comigo! AH ESQUECE, nem tem outros ingredientes! :("

E, por fim, ele diz:

COZA-ME!


E nesse momento de plenitude você nem pensa mais sobre a questão, é isso: vou cozer o ovo!
Deixo ele lá fervendo com a água enquanto faço as palavras cruzadas ou vou ler um livro, e em 20 minutos minha nutritiva refeição está pronta.
É sempre também uma alegria que ovo cozido me remete à antiga empregada que trabalhava em casa, a JACIRA; foi ela quem me ensinou a cozer ovo. (Aí você pensa: "Ah, que belezinha, ela devia ter uns 8 anos né." e engana-se, eu já tinha meus 18 anos bem vividos e não sabia cozir um ovo.) - Ai gente, tá bom, eu exagerei, até sabia, teoricamente :S
Saudades da Jacira... com ela a fartura reinava! Mas eram mesmo outros tempos... E A CRIZE NEH GENT!!!!1??

Já desvairei demais por hoje; ao menos foi um belo exercício de conjugação do verbo Cozer, que é daqueles super PEGADINHA na prova de gramática da oitava série.

- Daniela | às 1:04 PM



Daniela Del Ben Giradi



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