~ Sábado, Fevereiro 28

Você sabe todos os pontos: você sabe e não quer saber. Ignora todos os pontos, os de índice e os de cicatriz. Você sabe que não são apenas pontos; que nada é apenas ponto; que nada é "apenas", penas por assim ser, apenas. Em mim, não há nada de definitivo, normático, didático. Em mim, jamais houve certezas, à não ser aquela do instante, do milésimo, do sorriso; que você devia valorizar, mesmo que ele tenha saído de soslaio hoje. Devia valorizar meus pontos incertos, hesitantes, fora de foco, por saber que é cada um deles que fazem quem eu sou; quem você ama, ou amou.
Explicações funcionam muito mal comigo, eu nunca soube explicar sinceramente (veja que aqui não há vírgula: entre o explicar e o sinceramente. Viu?)
Meu vocabulário até permite belas explicações; sem deixar margens subjetivas, se não estou disposta a isso; sem que ninguém desconfie. Mas a você confesso, se você ainda não percebeu, que sou muito manipuladora mesmo. Às vezes sinto em mim até cores escuras e fortes, típicas da vilã, da megera, da fria e calculista. Mas não é bem assim também; nada é bem assim também.
Então entenda, que eu já cansei de me consolar, explicando pra mim mesma. Entenda, que esse negócio de futuro, esse negócio de todo o resto da vida, não tem chão. E a proposta não é ter chão. A proposta é surpresa. A proposta é feliz por ser que nem criança; criança inventando uma música de trinta minutos a partir da palavra "rosa".
E é mesmo muito difícil. Inventar a música, eu digo. Inventar a música nova, a música que em nada se suspeita, que em nada se intui, da qual não se sabe nada, à não ser os calafrios do desconhecido. O desconhecido total do próximo instante, comparado com o rotineiro conforto, e certo, de... quantos anos foram? três, quatro...? No alarms, and no surprises.
Então você sabe, como qualquer um exposto a esse quadro maior enxerga; você sabe e enxerga, e não quer ver. Você sente, e não quer viver. Você cobra, como que se não soubesse.
São difíceis esses pontos. Não são só pontos. Você sabe.
Talvez seja eu quem não saiba, ao certo. Quem é "você"?

- Daniela | 2:06 PM | comentários



~ Terça-feira, Fevereiro 10

Um continho - De exercitar, e de um tempo atrás.

Já foram cinco folhas de papel almaço, direto pro lixo. Direto não, fazia uma pequena (às vezes, longa) pausa entre seu estômago e a compulsividade quando escrevia o nome dele algumas vezes, sem ritmo e sem seguir as linhas. Sem por quê. O que queria escrever, mesmo?
Melhor fazer os cálculos do mês, antes que já comece a pensar denovo... Pronto. Marieta torturava-se. Já se passavam dois anos! Dois anos de papéis almaço e corações ao lixo: torturava-se.
Ia atrás dele, daquelas mulheres. Reparava se ele estava usando alguma peça de roupa que ela havia lhe dado, naqueles seus tempos. Reparava no sorriso dele; nas conversas que ela o tinha ensinado; no caminho das mãos, que ela o havia mostrado pela primeira vez. "- Ingrato, me pegou o de melhor, pra usar agora com essas..." Não poderia deixar de reparar nas curvas de pouca idade; os cabelos, as unhas. Vai ver era isso que ele queria, afinal...
Mas já se passavam dois anos, Marieta! E a tortura.
É porque sabia que era forte. Ninguém faz a si mesmo tortura que não se aguente: era para render mais folhas, mesmo que ao lixo. Estava rendendo, não muito em sorrisos.
Mas Marieta era uma mulher forte e sabia muito bem de tudo; sabia tanto, que não poderia deixar de saber tudo aquilo que a psiquiatra lhe falava.
Não poderia deixar de saber, afinal, por onde andava seu pupilo, seu projeto de vida.
- Isso virou obsessão, Marieta.
- Deixe-me com minhas coisas.
- Ele não é seu.
- Deixe-me.
De ingênua e desapercebida, Marieta não tinha nada. Ela tinha um plano.
Esperou o momento exato de ligar e marcar o café. O jogo sempre fora em seu tabuleiro, e ela não deixou mágoas suficientes no coração que a amava quando explicou tão carinhosa e correta porque precisava ir, há dois anos atrás. "- Foi você quem quis assim!"; e ela só respondia "Sim".
Seria amanhã. E quando aqueles olhos se encontrassem de novo: os olhos dela, não carregados de maquiagem como os que ele passara a ver. Os olhos dela: apenas refletindo a espera. Tudo iria ficar em paz e tomar o rumo deles: o eterno; era hora do eterno.
Antes de dormir, ainda separou a roupa que usaria: o casual bem planejado, por ela, como sempre fora. Podia sentir que os corações batiam mais forte. "Nada como uma história pré-destinada!".
Adormeceu logo, sem nem perceber que lhe faltava a ansiedade, e talvez nem lembrasse do que sonhou. Talvez fora com sua infância; suas peças de teatro. Talvez fora com a chuva, numa viagem de carro. Talvez sonhara com ele.
Só acordou feliz, sem pensar em folhas almaço, corações ou curvas angulares. Lhe mandou apenas uma mensagem:
"Meu amor, nosso maior erro foi colocar responsabilidades de eterno naquilo que é de momento; todos os dias, quantos dias forem."

Anuladas as obsessões, pode até ser que Marieta e ele se encontrem de novo, para a qualquer momento viver eternamente; quem sabe. Nada há de pré-destinado, definido. E é isso que a deixou leve, essa manhã, finalmente.


- Daniela | 3:08 AM | comentários



~ Sexta-feira, Fevereiro 6

Apresentando:



Alternativa para pipocas. & para retardadas

- Daniela | 2:36 AM | comentários




Que não mandei, nem vou mandar.

Oi, essa noite sonhei com você e você era praticamente um EREMITA; me assustei e decidi mandar um alô pra te contar que aqui na terra ainda tão jogando futebol, com muito samba, choro e rock'n roll.
Sua amiga Yasmin Lucita passou na UFSCAR, e está super feliz [lógico]. Fiquei sabendo que a Anna passou na USP. E certamente eu sou a única sönga que está fazendo UNISO; mas ADIVINHA: eu tô curtindo ADOIDADO! E dessa vez não existe ironia no típico "ADOIDADO em caixa alta"! :)
Minha irmã está no terceiro colegial e pensando em prestar para ENGENHARIA NAVAL. Bota fé?
A Gabi está fazendo uniso também, só que de manhã, e se ela estivesse fazendo a noite estaria na mesma turma que eu. e SE FUDEU, porque a noite é bem mais legal!
Esses dias, eu me perdi em PIEDADE com a Nicole. E SIM, EU CONSEGUI me perder lá! ¬¬ A gente tava numa super festa na chácara da Gabi, só que o irmão dela bateu o carro quando foi comprar gelo aí na cidade da ADEGA (eu não sei qual é a "referência" de Piedade) e daí a Gabi foi com o vô e a tia dela pra lá pegar o irmão, mas as coisas na delegacia estavam demorando demais e me pediram pra sair de chácara e ir buscar a Gabi. Eu fui, me perdi nos mancos e barrancos dessa cidade e quando finalmente consegui achar o lugar, a Gabi já estava entrando no carro do vô dela, pra voltar: ou seja, não adiantou nada ¬¬
Meu gato nesse momento está batendo com força no saco de ração, porque a que havia no potinho dele já acabou faz tempo, e eu estou demorando pra colocar denovo porque ele está obeso demais.

Estou lendo Dostoiévski & já fiz um PROJETO em uma das aulas da faculdade que ficou legal; já se espera que eu seja NERD eternamente, né. Mas eu gosto da galera & já fiz amigos :D E esses não gostam só de sertanejo!!! \o/

Meu carro está fedendo mijo de gato há alguns dias...

Beijos!


- Daniela | 2:11 AM | comentários



~ Quarta-feira, Fevereiro 4

Esse blog é mesmo tão inconstante e deveras remoto, que nem tenho pudores de manter uma linha de raciocínio aqui; então, hoje falarei sobre OVO COZIDO.

O ovo cozido é uma iguaria de extrema importância na minha vida, já que esse lugar de poucos metros quadrados a que chamo de "lar" provisóriamente, quase nunca me oferece alimentos variados e/ou de bom valor nutricional. Aí que entra meu amigo OVO.
Ele está sempre a sorrir pra gente, na porta da geladeira, oferecendo N possibilidades: ele diz:
"- oi, você pode me fritar e comer com catchup, NHAM!"

"- oi, você pode me misturar com presunto, queijo, tomate, ervilha, milho, alho poró, gengibre, pedaço de gato & fazer uma omelete HUMM!"

"- oi, você pode fazer um bolo comigo! AH ESQUECE, nem tem outros ingredientes! :("

E, por fim, ele diz:

COZA-ME!


E nesse momento de plenitude você nem pensa mais sobre a questão, é isso: vou cozer o ovo!
Deixo ele lá fervendo com a água enquanto faço as palavras cruzadas ou vou ler um livro, e em 20 minutos minha nutritiva refeição está pronta.
É sempre também uma alegria que ovo cozido me remete à antiga empregada que trabalhava em casa, a JACIRA; foi ela quem me ensinou a cozer ovo. (Aí você pensa: "Ah, que belezinha, ela devia ter uns 8 anos né." e engana-se, eu já tinha meus 18 anos bem vividos e não sabia cozir um ovo.) - Ai gente, tá bom, eu exagerei, até sabia, teoricamente :S
Saudades da Jacira... com ela a fartura reinava! Mas eram mesmo outros tempos... E A CRIZE NEH GENT!!!!1??

Já desvairei demais por hoje; ao menos foi um belo exercício de conjugação do verbo Cozer, que é daqueles super PEGADINHA na prova de gramática da oitava série.

- Daniela | 1:04 PM | comentários



Daniela Del Ben Giradi.
A realidade e o extraordinário fundidos; o passado & o presente; a inconstância e a saudade constante: de praxe.


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