|
~ Domingo, Maio 31 |
a - Daniela | às 11:42 PM |
| O grande fenômeno, ou talvez seja melhor usar outra palavra nesses dias em que a denominação "fenômeno" é quase patenteada por um grande jogador (dando à palavra "grande" o sentido que preferir). Vamos começar denovo: a grande mania virtual do momento entre cibernéticos de todas as idades no Brasil é o Twitter. Tudo bem, talvez você ainda não tenha ouvido falar tanto sobre ele quanto se fala sobre o "famoso site de relacionamentos" que, vira e mexe, é mostrado em reportagens de televisão e as emissoras não podem usar o termo "Orkut", como se não fosse inconfundível aquele fundinho azul-bebê do portal. A questão é que o twitter está crescendo, e não há como ignorá-lo. Eu acredito que o que mais atrai a atenção das pessoas para o twitter é o eterno dilema: "para quê serve esse negócio, afinal?". Experimente você também, acesse twitter.com/qualquercoisa e tente entender. Sim, você pode substituir as palavras "qualquer coisa" por praticamente qualquer coisa que vier à sua cabeça, que muito provavalmente haverá um usuário de twitter sob esse nome. E aí, o que você encontra? Uma página, cheia de publicações curtas, apenas uma frase, quando não só uma palavra, citando e discorrendo (se é que é possível discorrer em tão pouco espaço) sobre qualquer assunto. E aí, "qual a utilidade disso?" Tente outra situação. Acesse twitter.com e faça seu próprio cadastro. É simples e rápido e, parabéns! Agora você também está nessa rede! Toda a intenção do site parte de uma pergunta a ser respondida em no máximo 140 caracteres; ela diz: "O que você está fazendo?". Cuidado, novato; perceba que, obviamente, se você apenas responder à pergunta, assim, de forma ingênua, como por exemplo "eu estou comendo uma pêra", sua página ficará extremamente sem graça e... sem sentido. Você deve fantasiar, criar a ilusão de que sua vida é espetacular e mostrar que você tem um senso de humor único ou um conhecimento muito vasto sobre todas as coisas do mundo. Tem de ser bastante inusitado para deixar ligeiramente divertido um portal que, sim, na verdade é essencialmente sem sentido. Experimente dizer "Estou deliciando uma pêra, e aliás, vocês já viram esse comercial que usa pêras? (insira aqui o link de um comercial raro, improvável e super criativo que usa pêras)". Crie mais algumas linhas nesse gênero e em seguida comece sua saga em busca de seguidores. Como? Siga todas as pessoas possíveis. Simplesmente vá seguindo, é só um botão a ser clicado mesmo. Grande parte das pessoas no twitter só querem ser seguidas, e vão ficar lisonjeadas quando forem avisadas via email que você as está seguindo. Elas realmente vão acreditar que você está interessado no conteúdo de suas respectivas páginas e, como gesto de gratidão, vão te seguir também. Você, igualmente ingênuo e egocêntrico, também vai apostar que esses novos seguidores querem muito saber o que você tem a dizer de interessante e a rede engorda assim: todo mundo falando sozinho, só querendo ser ouvido (lido), e ninguém ouve (lê) o conteúdo dos outros. Salvo algumas pouquíssimas excessões, é lógico. Mas, no geral, a internet geralmente funciona assim mesmo: fornece inúmeras ferramentas de auto-afirmação e fazem muitos jovens ilusioramente mais felizes. E a vida fica melhor, assim. Agora eu vou fragmentar isso tudo em blocos de 140 caracteres e atualizar meu twitter. - Daniela | às 11:39 PM |
| Todo mundo ficou sabendo... Aliás, estou sendo supérflua ao citar que "todo mundo ficou sabendo" já que, hoje em dia, são raros os acontecimentos que o "todo mundo" não fica sabendo. O "todo mundo" que assiste à televisão, acessa a internet ou simplesmente sai de casa e conversa com outras pessoas. "Ele" fica sabendo até a cor da roupa que o mais novo dos Jonas Brothers usou no show; não, não nesse show que aconteceu no Brasil, poucos dias atrás. Saber desse é muito fácil. "Ele" sabe daquele show raro, para um grupo selecionado de pessoas, que aconteceu em Xangai no ano de 2007, e o pequeno Jonas usava azul, "todo mundo" sabe. Peço perdão, enfim, e retomo: é óbvio que todo mundo ficou sabendo da ligeira queda que sofreu o nosso querido Caetano Veloso durante sua apresentação em Brasília, no dia 16. Muito provavalmente, todo mundo também ligeiramente riu ao assistir aos vídeos do acontecimento, como não poderia deixar de ser. O tropicalista ia alegre, caminhando contra o vento, inspirado por aquela força que o leva a cantar, quando a Força Maior agiu sobre ele. Não estou falando de Deus ou Jorge da Capadócia, estou falando de um degrau, Isaac Newton e a Gravidade. Alguém na platéia expressa toda sua preocupação com um "meu Deus..." bastante sentido, e após 2 segundos Caetano se levanta para alívio de todo mundo: "ele está bem". Tudo bem, nada demais, eu não me preocuparia. Caetano já teve de ser bem mais cauteloso décadas atrás para não cair nas mãos da ditadura; cair nas mãos e nos artíficios de tortura da ditadura, literalmente. O que é um degrau, gente? A queda é natural, ela acontece todos os dias na bolsa de valores e estamos todos acostumados. Cai também muita chuva no nordeste, cai para alagar tudo e desabrigar muita gente. Caem os cabelos dos senadores e deputados, mas só quando um deles é sorteado para ser cassado porque, até lá, eles investem bastante nos implantes capilares e vocês sabem com que dinheiro isso é feito. Nós estamos, na verdade, bastante habituados às quedas já. A de Caetano só teve tanta repercussão por ser, ao contrário das outras aqui citadas, hilária. E todo mundo gosta de cair na gargalhada. Aliás, Caetano não é qualquer um. Caetano e sua juba, quando caem, são aplaudidos. Isso sim é que é queda! - Daniela | às 8:56 PM |
|
~ Domingo, Maio 24 |
Você NÃO sabe do que estou falando - Daniela | às 1:18 PM |
|
~ Terça-feira, Maio 5 |
Tenho saudade e é hipocrisia afirmar que não havia medo, ansiedade; tenho saudade, nem sei se é mesmo saudade, nostalgia, ou fuga, é medo. Não é saudade, é falta de colo. Não é nada disso. Nada disso; nem eram só as provas do colégio que me deixavam preocupada na terceira série. Nem era assim como hoje, quando acordo a cada dia sabendo menos dos meus dias, sabendo nada além do fim que chega quando é fim, nem como, nem porque; quero saber do fim logo no começo do dia. E não sei. Antes era mais certo: o fim era um copo de leite. Nos últimos dezenove anos o fim era um copo de leite, e de repente deixou de ser. Ficou intangível; o fim, eu digo. O copo de leite por si só, um copo desses de requeijão com leite, um Toddynho que seja, pra isso o supermercado tá aí. É a minha vida que não está mais pro copo de leite. O copo de leite no fim, antes de dormir, depois de acordar, nos limites da segurança. Não há nada de seguro agora, além de você. Você é a única coisa que me restou de seguro. Nesses dias que começam no fim. E isso é só o começo, eu sei. - Daniela | às 11:37 AM |